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GOL DE BOLINHA DE PAPEL

Bolinha de papel no chão. Esquina das ruas Teodoro Sampaio com Pedroso de Morais, em Pinheiros. Chutei a bolinha de canhota. Não chuto uma bolinha de papel, deve fazer pelo menos uns 20 anos. Talvez mais! A bolinha estava no jeito: chuta-me, chuta-me, chuta-me! Chutei e errei feio. Acontece. Outro dia bati um pênalti no Allianz Parque (Estádio do Palmeiras) e marquei. Goleiro para um lado, bola no outro. Curvei-me – envergonhado e apoiado num poste – catei a bolinha do chão. Não resisti: abri a bolinha de papel (um folheto impresso) e li o que estava escrito. “Autorresponsabilidade: acontecimentos de nossas vidas, sendo eles positivos ou negativos!” No verso do folheto: “As 6 Leis da Autorresponsabilidade”. Interessante! São elas: “1) Se é para criticar (os outros), cale-se; 2) Se é para reclamar, dê sugestões; 3) Se é para buscar culpados, busque soluções; 4) Se é para se fazer de vítima, faça-se de vencedor; 5) Se é para justificar seus erros, aprenda com eles; 6) Se é para julgar as pessoas, julgue as suas atitudes. Fim. Que merda, pensei. Não gosto do número 6.” Poderiam ser 7 leis. 7 é o número da perfeição e representa o lado oculto e místico da vida. Quem é “influenciado” pelo número 7 tem a sua trajetória guiada pelo desejo de entender o mundo na amplidão da espiritualidade. Peguei a bolinha de papel, amassei e a joguei na lixeira pública. Na inconformidade, resfoleguei um verso pobre, inesperado, ruim de tudo: “Ao chutar uma bolinha de papel, acerte no gol.” Teria "eu" criado a 7ª Lei da Autorresponsabilidade ou feito – apenas – um verso torto?

João Scortecci