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“TIRO-LIROLÁ, TIRO-LIROLÍ”, DE OSMAR SANTOS

O radialista e locutor esportivo Osmar Santos (Osmar Aparecido dos Santos, 1949 – ) dispensa apresentações. É o pai da matéria! É considerado um dos maiores narradores da história do rádio brasileiro. Trabalhou como locutor esportivo nas rádios Jovem Pan, Record e Globo e nas TVs Manchete e Globo. Criou bordões inesquecíveis: "Parou por quê? Por que parou?", “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha!”, "Tiro-lirolá, Tiro-lirolí” e “Que GOOOOOOOOOOOOL!!!". Foi Osmar Santos quem criou a expressão "Animal", para se referir ao jogador Edmundo, hoje marca registrada do ex-atleta da bola. Osmar Santos teve participação importante na campanha das “Diretas Já” pela democratização do Brasil. Estive presente no comício de 25 de janeiro de 1984, na Praça da Sé, na capital paulista, e foi vibrante sua participação como locutor oficial das “Diretas Já”. Conheci Osmar Santos no final dos anos 1970, na Universidade Mackenzie, quando namorava a aluna da Faculdade de Direito, Rosa Maria Pardini de Sá, que se tornaria, em 1981, sua esposa. Em dias de jogos do Palmeiras ­– ele, como narrador, e eu, torcedor fanático – sempre nos encontrávamos no Auto Posto Bauru, localizado na Rua Cayowaá, nas cercanias do Estádio Palestra Itália, hoje Allianz Parque, na cidade de São Paulo. Guardávamos nossos carros lá. Lado a lado. Éramos – quase sempre – os primeiros a chegar e – quase sempre – rolava um papo. Naquele dia – engraçado e inesquecível – cheguei mais cedo do que o costume, e o seu carro já estava estacionado na vaga de sempre. Osmar dormia – apagado – no banco do motorista. O jogo começava às 16h e ainda eram 12h40. Sabia que Osmar Santos, na época, entrava em serviço às 13h30, pontualmente. Decidi, então, esperar que ele acordasse. Às 13h25, nada de ele sair do transe. Preocupado com a hora, decidi intervir. Balancei o carro, bati no vidro e nada! Chamei então o gerente do posto e decidimos abrir a porta do carro. Osmar Santos deu um pulo e gritou. Parecia estar tendo um pesadelo ou algo assim. Passado o susto, depois de limpar a baba da boca, justificou-se: “Não dormi direito! Dirigi a noite inteira! Perdi a hora!”. Osmar Santos nasceu em Osvaldo Cruz, cidade do interior de São Paulo, distante 108 km de Marília. Já no caminho do estádio, perguntou-me: “Falei alguma bobagem?” “Que você é Palmeirense roxo!”, brinquei. Ele riu. Em 22 de dezembro de 1994, Osmar Santos sofreu um grave acidente de carro numa viagem de Marília à cidade de Birigui, também no interior paulista, quando foi atingido por um caminhão dirigido por um motorista bêbado. O acidente lhe causou graves danos cerebrais com sérias sequelas, a principal delas a “afasia de Broca”, que afeta a fala, impedindo-o, infelizmente, de continuar trabalhando como narrador e de gritar: “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha!”, para deleite de milhões de boleiros e admiradores. Grande Osmar Santos!