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OS POETAS VERLAINE E RIMBAUD – O “MARIDO INFERNAL”

“Le ciel est, par-dessus le toit,/Si bleu, si calme!/Un arbre, par-dessus le toit,/Berce sa palme.” (“ O céu está, por cima do teto,/tão azul, tão calmo!/Uma árvore, por cima do teto,/acalenta suas folhas”. (Sagesse/ Sabedoria, 1880).

A vida do poeta francês Paul Verlaine (Paul Marie Verlaine, 1844 – 1896), considerado um dos grandes poetas do simbolismo francês, foi trágica e violenta. Fez sua estreia literária, em 1866, com o livro “Poemas saturninos”, aos 22 anos de idade. Em 1867, publicou “Os amigos” e, em 1869, “Festas Galantes”. Em 1870, casou-se e, no ano seguinte, tornou-se pai. Até então, Verlaine conciliava o trabalho em uma companhia de seguros com a vida boêmia nos círculos literários parisienses. Em 1871, aos 27 anos de idade, conheceu e se apaixonou pelo também poeta francês Arthur Rimbaud (Jean-Nicolas Arthur Rimbaud, 1854 – 1891), dez anos mais moço, conhecido por sua fama de libertino e de alma inquieta. Em 1872, Verlaine abandonou a esposa e o filho e viajou para Bruxelas, Bélgica, em companhia de Rimbaud. A relação entre eles – que durou quatro anos – foi intensa e violenta. Em 1873, enciumado, Verlaine tentou matar Rimbaud com um revólver, atirando duas vezes contra o amante e atingindo-o no antebraço. Rimbaud, na época, tinha 19 anos e era chamado por Verlaine de seu "marido infernal". Verlaine foi julgado e condenado, passando dois anos na prisão de Petits-Carmes, na Bélgica. Na prisão escreveu “Sabedoria”, obra publicada em 1880. Depois de libertado, em 27 de agosto de 1874, procurou se reconciliar com Rimbaud, sem sucesso. Procurou, também, voltar para a esposa e o filho, em vão. As perdas o levaram para o mundo da boemia e do alcoolismo. Verlaine viveu no Reino Unido até 1877, quando regressou para a França. Escreveu – depois do seu retorno à França – os livros “Os poetas malditos” (1884), “Primavera” (1886), “Amor” (1888), “Em paralelo” (1889), “Dedicações” (1890), “Sentido” (1891), “Liturgias íntimas” (1892), “Meus Hospitais” (1892), “Minhas Prisões” (1893) e “Epigramas” (1894). Sua poesia é fundamentalmente sensorial, subjetiva e alheia aos grandes temas universais, pessoalíssima, de musicalidade fácil e intensa. Morreu de pneumonia, em 8 de janeiro de 1896, aos 51 anos de idade.

João Scortecci