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CACOETES E TREJEITOS DOS QUIXOTES DO LIVRO

Conhecer “as manias” do livro no Brasil – histórias, cacoetes e trejeitos – é abduzir-se no espírito dos quixotes do papel, pecar com suas tentações, suas fraquezas e temperanças, e, mais do que tudo, dar-lhes o olho do coração, do entendimento, do perdão – por que não! – amargar suas teimosias, suas venialidades e insônias. Segredando, digo sempre: “Sem teimosia, renitência e saliva nos dedos, não se constrói um livro”. Algo assim. O escritor carioca e jornalista Ubiratan Machado (Ubiratan Paulo Machado, 1941 – ) especialista em Machado de Assis, autor de uma obra fundamental para os estudos machadianos, o “Dicionário de Machado de Assis”, publicado em coedição da Academia Brasileira de Letras, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Imprensa Nacional de Portugal, trabalhou no “Jornal do Brasil”, Bloch Editores e Rio Gráfica Editora. Como tradutor, verteu para o português, obras de Honoré de Balzac, Alexandre Dumas e Thomas Mann. É autor de dezenas de livros, entre os quais “Os intelectuais e o espiritismo”, “A vida literária no Brasil durante o Romantismo”, “A etiqueta de livros no Brasil”, “Chico Xavier, uma vida de amor”, “Três vezes Machado de Assis”, “Oitenta anos da José Olympio Editora”, “A capa do livro brasileiro 1820 – 1950” e “Pequeno guia histórico das livrarias brasileiras”, minha mais nova aquisição. Não resisti! Pequei. O livro chegou pelo correio na última sexta-feira, dia 17 de março, com selo da Ateliê Editora. No verso de capa, a sinopse: “Obra sem similar na bibliografia nacional (...), conta a história (e as estórias) de cem das principais livrarias brasileiras, do século XVIII aos nossos dias (...).” A obra, interessantíssima, material farto para as minhas pesquisas, foi publicada, em primeira edição, no ano de 2009, exatos 14 anos atrás. Aqui com os meus cacoetes e trejeitos: reflexões sobre o que aconteceu na última década no negócio do livro, de lá pra cá, ou de cá pra lá, pouco importa. Brevidades! Sofro com os quixotes do livro, bebo das mesmas tentações, das mesmas fraquezas e temperanças. Sofro! Nada explica as nossas teimosias em salivar o verbo, nossas venialidades em pecar amores e desejos, nossas insônias por letras, palavras e estórias. Inexplicável? Talvez. Machado que nos perdoe, ainda.