Pesquisar

“ALMOÇO EM CASA” COM O POETA ARTUR DE AZEVEDO

Na mesma época que fundei a Scortecci Editora, isso em agosto de 1982, abri um dos primeiros restaurantes self-service da cidade de São Paulo. Chamava-se “Almoço em Casa”, com lugar para 30 pessoas. Ficava na Rua Artur de Azevedo, 1129, no bairro de Pinheiros, e funcionou, exatos, dois anos. A casa foi importante no início da vida de empresário. Ajudava a pagava as contas e a comida que sobrava garantia o jantar. O hábito de acordar cedo é dessa época, quando madrugava no entreposto do CEASA, na Vila Leopoldina, São Paulo, para comprar verduras e legumes. Eu mesmo transportava - no braço - as pesadas caixas de madeira, num Fiat Uno, azul, modelo 147. Fiz o trabalho pesado até o dia que desloquei o ombro. Então, desisti. Lembro-me que, na época, o nome da rua, que homenageia o dramaturgo, poeta, contista, prosador, comediógrafo, crítico e jornalista maranhense Artur de Azevedo (Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo, 1855 - 1908), foi um sinal “divino” na hora de “bater o martelo” e fechar o contrato de locação do imóvel. E o mais importante: “Almoço em Casa” ficava 4 quarteiros de distância da editora, na época, na Galeria Pinheiros, Rua Teodoro Sampaio, 1704.  Todo restaurante tem duas alegrias: quando você abre ou compra e quando você vende ou fecha. Fora isso: só pesadelos! Foi assim comigo, também. A gota d’água foi a reclamação de que o arroz estava “uma merda”. O cliente – frequentador diário - fez um escândalo e eu, para não “capá-lo” com a faca de cortar carne, resolvi, então, fechar a casa. Naquele mesmo dia - talvez uma ação divina do poeta Artur de Azevedo - recebi uma oferta pelo ponto. Passei o valor pretendido e o sujeito – Oscar, talvez - fez o cheque, na hora. Simples assim. O endereço do prédio não existe mais. Foi demolido em 2022, para a construção de uma torre de apartamentos. Artur de Azevedo – para quem não sabe - foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Um apaixonado pelo teatro - um comediógrafo - tendo encenado mais de cem peças no Brasil e em Portugal. Foi um dos apoiadores da criação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia, centro da cidade, inaugurado em 14 de julho de 1909, poucos meses depois de sua prematura morte, com 53 anos de idade. Daquela época – anos 1982 e 1983 - ficou uma dura lição: Jamais reclamar do arroz, em lugar algum.   

João Scortecci