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COLÉGIO CEARENSE, O PRÉDIO NOVO, O TOMBAMENTO E OS VERSOS DO POETA SARUBBI

O Colégio Cearense do Sagrado Coração foi fundado na cidade de Fortaleza, no dia 4 de janeiro de 1913, pelos padres Missael Gomes, José Quinderé e Climério Chaves. O colégio funcionou na Rua da Amélia (atual Senador Pompeu), na Rua 24 de Maio, na Praça José de Alencar, na Rua Barão do Rio Branco e, por fim, no ano de 1917, em prédio próprio, na Avenida Duque de Caxias, nº 101, região central da cidade. Em 1916, a administração do colégio foi entregue aos Irmãos Maristas, movimento religioso fundado na França, em 1817, pelo então Padre Marcelino Champagnat, e trazido ao Brasil, em 1897. Em 1972, o colégio, originalmente de ensino masculino, passou a ser misto e, em pouco tempo, dobrou o seu número de alunos. Na década de 1980, viveu seus melhores dias. Chegou a receber, num único ano, 4,5 mil matrículas de alunos, em três turnos. A partir do ano 2000, o colégio entrou em decadência, perdeu referência, qualidade e espaço e, sofreu forte concorrência de grandes grupos educacionais. Em 31 de dezembro de 2007, fechou suas portas. Em fevereiro de 2017, o Conselho Estadual do Ceará de Preservação do Patrimônio aprovou — depois de uma mobilização de ex-alunos — o tombamento do prédio do Colégio Cearense. O conjunto originalmente edificado — dois pavimentos, mais uma capela, construída em 1926 — sofreu vários acréscimos e intervenções, em mais de cem anos de existência, sendo, porém, em sua maioria, reversíveis ou de fácil identificação. Em 1967, iniciou-se a construção do chamado “prédio novo”, de sete pavimentos, concebido em arquitetura moderna, pelo engenheiro Luiz Gonzaga do Carmo Paula (meu pai), ex-aluno do colégio e filho de João Batista de Paula, o Batista da Light. O prédio novo foi inaugurado no ano de 1970, na administração do Irmão Luiz Marques de Oliveira. O serviço de edificação e engenharia, a pedido pessoal do Irmão Urbano, não foi cobrado. Em troca, a família Paula ganhou quatro bolsas de estudo, válidas até o 3º ano do curso Científico. Meus irmãos Luiz Gonzaga e José Henrique beneficiaram-se integralmente da contrapartida. Eu, até a 8ª série do ensino médio, quando me mudei para a cidade de São Paulo, no ano de 1972. A quarta bolsa - reservada para a minha irmã caçula, Ana Cândida, não foi usada. A bolsa, então, foi transferida para um primo próximo e os quatro anos restantes da minha bolsa de estudo foram destinados para o filho de um amigo do meu pai, Luiz. Na época, esse amigo de meu pai administrava um negócio de carrinhos de pipoca. A vida - cheia de surpresas e mistérios - fez com que, no ano de 1983, já editor de livros e morando na capital paulista, eu publicasse o livro “No Limiar da Loucura”, do psicólogo Antônio Sarubbi, o garoto, filho do amigo do meu pai, que, em 1972, ganhou de presente os quatro anos restantes de estudo, até o 3º ano do Científico, no Colégio Cearense do Sagrado Coração.

16.01.2022