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HERÓIS DE 1932, PANTALEÃO E O QUERIDO TIO EOLO VENTURA

Hoje é aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. O “estopim” do levante armado, precipitado pela revolta popular, deu-se após a morte de quatro jovens - Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo - por tropas getulistas, durante um protesto contra o Governo Federal. No dia 23 de maio de 1932, um grupo de manifestantes tentou invadir a sede do PPP - Partido Popular Paulista (ex-Liga Revolucionária), grupo político-militar encabeçado por Miguel Costa, sustentáculo de apoio ao regime de Getúlio Vargas. O embate deu-se no centro da cidade de São Paulo, na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República. O grupo político-militar resistiu à invasão com o uso de armas e granadas. Após a “fuzilaria”, muitos feridos e quatro mortos. Um quinto manifestante, Orlando de Oliveira Alvarenga, foi ferido, faleceu três meses depois e não teve seu nome associado ao movimento: MMDC. “Sem dinheiro não se faz nada, nem revolução!” Cinco dias depois da eclosão do movimento Constitucionalista, o governador aclamado, Pedro de Toledo (1860-1935), decretou a autorização de emissão do “dinheiro paulista” lastreado de acordo com as reservas em ouro nos cofres do estado. São Paulo imprimiu papel-moeda, cédulas de 5, 10, 20, 50, 100 e 200 mil réis. Meu saudoso tio Eolo Ventura, casado com tia Margô (Margarida de Paula Ventura), irmã mais velha do meu pai Luiz Gonzaga, foi soldado constitucionalista e - em almoços de família - contava a história da noite tensa que viveu durante o conflito de 32. Seu agrupamento estava acampado na fronteira do estado paulista com o de Minas Gerais quando receberam um alerta da presença das tropas de Getúlio nas cercanias. Pânico! Por volta das três horas da madrugada escutaram uma movimentação estranha e barulho de galhos quebrados. Mesmo com a ordem de não atirarem, abriram fogo. Em menos de trinta minutos “detonaram” toda a munição do agrupamento. Depois do silêncio e do breu da noite, um pequeno grupo de soldados recebeu a missão de vasculhar a área. Meia hora depois veio o apito de silvo breve - que significa: siga em frente, caminho livre - e o agrupamento encontrou na vala da trincheira uma vaca morta, perfurada de balas. Depois das risadas e da sobremesa, tio Eolo Ventura sussurrava a moral da tragédia: a vaca havia sido alvejada 32 vezes! É mentira, Terta? Memórias de Pantaleão, herói de 1932 e de uma vida inteira.

09.07.2021