NO TRAVESSEIRO DAS VAIDADES DO MUNDO

O "Livro do Travesseiro" ("Makura no Sōshi") da escritora japonesa Sei Shônagon (c. 966-1017), um inventário da cultura do Japão feudal, escrito no século X, é a principal obra da literatura clássica japonesa. Sei Shônagon foi dama de companhia da Imperatriz Teishi, durante o Período Heian. A obra é um composto de 300 textos curtos, que podem ser lidos em sequência ou ao acaso. Com uma capacidade de produzir “insights” (compreensão de uma causa e efeito específicos dentro de um contexto particular), o livro ilumina tanto os pequenos fatos do cotidiano no Palácio Imperial, como os fenômenos da natureza, as sutis interações da vida social e a refinada trama de valores estéticos, que enlaçam e organizam praticamente todas as esferas da cultura. O “Livro do Travesseiro” foi traduzido para o português por uma equipe de professoras de origem oriental do Centro de Estudos Japoneses da USP e publicado em 2013, pela Editora 34. Pouco se sabe sobre a vida da escritora - nem mesmo o seu nome verdadeiro. Sei Shōnagon é um apelido que recebeu quando entrou para a corte da Princesa Sadako (Imperatriz Teishi). Na época as damas de companhia recebiam um novo nome, composto pelo ideograma do nome de família. O título da obra em japonês - "Makura no sōshi" - vem de um episódio que é contado no Livro, segundo o qual a Princesa Sadako (Imperatriz Teishi) havia recebido de presente um maço de folhas de papel de boa qualidade - artigo de luxo, na época - e não sabia o que fazer com ele. Sei Shōnagon, então, aconselhou a princesa a fazer um travesseiro com o maço de folhas de papel. O "Livro do Travesseiro" foi escrito por volta dos anos 1001 e 1010, quando Sei Shōnagon já vivia retirada da corte, possivelmente como monja em um templo budista, onde terminaria seus dias em preces, orações e abdicação das vaidades do mundo.

10.06.2021