A BIBLIA MALDITA E OS SUSSURROS DO DEMÔNIO TITIVILLUS

Os “amanuenses” também cometem erros! “Amanuenses” ou “copistas” são aqueles que copiam textos ou documentos à mão. A palavra provém do latim “amanuensis” uma derivação da expressão latina "ab manu" (à mão). Ontem pesquisando e escrevendo sobre “O Legado de Gutenberg” dei de cara com a história da “Bíblia Maldita”, edição publicada em 1631, por ordens de Carlos I, Rei da Inglaterra. Uma edição pequena, de mil exemplares, que causou aos editores responsáveis pela publicação uma multa de 300 libras - equivalente a algo próximo de 45 000 libras nos dias atuais - além da revogação do direito de imprimir a Bíblia.
A obra foi impressa com um terrível e maldito erro tipográfico cometido pelos “amanuenses” quando a transcreveram do original. Passou batido! Ao transcreverem os “dez mandamentos” omitiram a palavra "não", desta forma dando ao texto a redação "cometerás adultério". Os exemplares desta edição maldita continham também um segundo erro: "cometerás atos impuros". Os exemplares - recolhidos e amaldiçoados - foram queimados em praça pública. Poucas cópias escaparam da fúria dos fieis.
Hoje - cópias salvas - da “Bíblica Maldita” são consideradas raridades e altamente valiosas por colecionadores. Uma única cópia da “Maldita” encontra-se na New York Public Library (Biblioteca Pública de Nova Iorque). Erros em livros são atribuídos ao demônio “Titivillus”, que supostamente sussurram “pecados” nos ouvidos de escritores, revisores e editores. 

11.05.2021