Pesquisar

NELSINHO NA LINHA DO CEROL

Nelsinho (Nelson Holanda Sampaio, 1951-2021) era o criativo da turma. Tinha a mesma idade do meu irmão José. Isso na Fortaleza dos anos 1960. Nelsinho morreu pela Covid-19, na época do pico da pandemia. Era o primogênito da “Turma da Dóris”, uma mulher incrível: bandeirante, pintora, produtora cultural e servidora da Universidade Federal do Ceará. Seus filhos: Nelsinho, Leda Maria, Alexandre, Guilherme, Raul e Paulinho. Sem eles – confesso - a minha infância no Ceará não teria sido incrível, vibrante e inesquecível. O livro “Na Linha do Cerol - Reminiscências Poéticas”, escrito já no exílio voluntário, foi dedicado a “Turma da Dóris”, em especial ao Gorgulho (Guilherme Holanda Sampaio), que tinha a minha idade e faleceu num acidente de carro. Guilherme, Raul, Paulinho e Nelsinho, já faleceram. Foi doído perdê-los no tempo. Com cada um deles uma vida dentro de mim. Nelsinho era o “habilidoso” e o “criativo” da rua. Inteligente e bom comerciante. Comprava e vendia a brincadeira da época. Administrava seus projetos com inteligência e eficiência. Nelsinho era o relógio e nós os ponteiros das horas. Consertava bicicletas, riscava arraias de lancear no céu, balangandãs, passava cerol nas linhas de corte, fabricava sandálias de pneu de carro, assoprava balões de fogo, comprava e vendia fogos de artifício, abafava figurinhas de times de futebol, construía carrinhos de rolimã e cortava com precisão e pontaria, baladeiras de caçar calangos. Isso tudo e mais um mundo de engenhocas. Histórias das histórias do meu tempo de infância. 

João Scortecci