SAUDADE DO POETA FRANCISCO MOURA CAMPOS / JOÃO SCORTECCI

Até meados do ano de 2018 não sabia do falecimento do poeta Chico Moura (Antonio Francisco Carvalho Moura Campos). Havia lhe enviado vários e-mails e até acessado sua página no Facebook deixando mensagens: “Chico! Cadê você.” Surpresa minha foi receber depois de algum tempo mensagem de sua irmã Maria Emília Campos com a triste e dolorosa notícia do seu falecimento. Confesso que fiquei “passado”. Não é fácil perder amigos e companheiros de uma vida inteira.

Chico Moura nasceu em Botucatu, São Paulo. Paralelamente à atividade como engenheiro, foi editor de poesia e lançou vários poetas pela Editora Metrópolis, da qual fomos sócios, em 1986. Publicamos juntos perto de 15 títulos. Uma experiência incrível que nos aproximou.

Chico Moura foi diretor da União Brasileira de Escritores (SP) e durante trinta e cinco anos participou ativamente da vida cultural de São Paulo, ministrando oficinas de poesia, palestras, saraus e jurado de concursos literários (alguns organizados pela Scortecci).

Chico Moura escrevia em silêncio e adorava um bom papo. Sabia como poucos trabalhar as palavras. Nos deixou dez livros de poesias. Cada um melhor do que o outro. Museu de Mariana é o meu preferido que o guardo no coração e agora na saudade.

João Scortecci



Livros de poesia publicados:

O sorriso do Drama (Massao Ohno/ Roswitha Kempf, 1980)
Brejeiro (Scortecci, 1985)
Canção (Metrópolis/Scortecci, 1986)
Museu de Mariana (Scortecci, 1990)
Itinerário Enternecido (Scortecci, 1991)
Arroz com Feijão (Scortecci, 1992)
Outdoor (Scortecci, 1994)
Antologia Poética (Iluminuras, 1998)
Renascer (Escrituras, 2005)
Ponteios da Madrugada (Limiar, 2010)

Sobre a obra de Chico Moura:

“A epifania que ilumina e colore os relacionamentos afetivos concentra-se no objeto de todo o carinho e ostensiva admiração: a filha Mariana. A identificação se mostra tão soberana e impulsiva que falar do pai-autor será também dizer da filha, o outro lado da fusão sentimental.”
Fábio Lucas

“Inspiração, sensibilidade e imaginação somam-se ao domínio da linguagem, à técnica apurada: eis a poesia de nosso Chico Moura. Ah, esqueci o essencial, amor. Tanto que transborda da taça, a espuma se espalha entre os convivas do sarau. Inesquecível. Falta dizer alguma coisa? Sim: que a melhor poesia se condensa nas antologias, nata da nata, como se diz. E esta é imperdível. Parabéns, Mariana!”
Levi Bucalem Ferrari