Mãe Nilce das seis da tarde

Querida Mãe Nilce: algo toca e nos abraça sempre que a vida marca mais um tempo das seis da tarde. Foi assim, quase sempre, nos nossos últimos anos de separação. Não há mais os sinos e nem as orações pela graça de Maria. A vida é veloz. Tudo ficou no passado antigo, no corpo ausente e no silêncio da perda. Naquela hora do entardecer, ainda me pergunto do carinho, ao escutar a sua inconfundível voz: “João, aqui é a Mamãe” como se eu não soubesse que era ela - eterno amor de mãe -, e ela - que era a voz presente do seu filho caçula.