Herzog, Konder e Audálio: todos mortos!

Parque D. Pedro II, em São Paulo. Na época (com 20 anos) fui inscrito na CCS – Pelotão de Transporte e por ser motorista categoria B, assumi a condição de motorista de campo do Ten. Cel. Pedro Luiz da Silva Osório. Lembro-me que saímos em missão apenas duas ou três vezes. A mais importante (creio eu) foi no desfile Militar de 7 de setembro, na Avenida Tiradentes. Com dois meses de quartel e cinco da morte do jornalista Vlado (Vladimir Herzog) fui escalado para o P1 (posto de serviço) no QG do II Exercito, no Parque do Ibirapuera. O P1 era estratégico. Um veículo militar, Eu de motorista (com uma submetralhadora beretta M-12) e um segurança, com FAL (fuzil automático leve), de prontidão, a serviço do General Dilermano Gomes Monteiro. Homem frágil, inteligente e apaixonado por literatura. O meu livro de nome A Morte e o Corpo foi escrito no plantão do P1. Os assuntos Herzog e Konder eram proibidos. Na verdade não existiam. Depois da abertura política conheci o Rodolfo Konder na sede da União Brasileira de Escritores. Fomos amigos. Tive a honra de publicar um livro seu de nome Palavras Aladas. Herzog veio depois, através do amigo Audálio Dantas e o seu livro de nome As duas guerras de Vlado Herzog. Dilermano, Konder, Audálio e Vlado estão mortos. O ano de 1976 ficou.