Bandeira, quase Haikai

Quase Haikai. Bandeira morreu em 68. Não o conheci pessoalmente. Uma pena! Era menino de tudo. Tinha 12 anos de idade e morava no Ceará. Fui saber dele e da sua poesia no final dos anos 70, já morando em São Paulo. Quando conheci Menotti Del Picchia e passei a frequentar sua casa na Av. Brasil - isso em 83 – li e estudei a obra de quase todos os modernistas. Não podia fazer feio. Menotti falava pouco ou quase nada sobre Bandeira. Seu prato predileto era o antropofágico Oswald de Andrade (1890-1954). Menotti me contou “coisas” sobre Oswald que arrepiar. Um dia conto tudo. Menotti gostava muito do ex-presidente Juscelino Kubitschek (tinha um quadro com sua foto na entrada da casa) e do meu avô José Scortecci, editor da Revista PAN (1934-1945), onde foi colunista e colaborador por muitos anos. “Os Sapos” de Manuel Bandeira (1886-1968), poema abre-alas da Semana de Arte Moderna, veio depois da morte de Menotti, em 88. Os últimos versos do poema marcaram-me muito: “Que soluças tu,/ Transido de frio,/ Sapo-cururu / Da beira do rio.” Eram tempos de Haikais (febre nos anos 80) e a editora andava cheia de livros do gênero para publicar. O quase Haikai ficou e também amor pelo sapo cururu.