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FRASES DE EFEITO QUE NÃO DIZEM NADA EM TEMPOS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Lendo um artigo sobre Inteligência Artificial e o que vai ou pode acontecer no mundo, encontrei a seguinte frase: “Vivemos uma realidade objetiva por definição!”. Li e reli. Juro: não entendi nada. Abri o dicionário e busquei o significado, palavra por palavra, uma de cada vez. Encontrei assim: “Viver”: “ter vida; estar com vida”. “Realidade”: “o que realmente existe; fato real; verdade”. “Objetiva”: “característica da pessoa que é clara naquilo que diz; que não enrola; que vai direto ao ponto”. “Definição”: “exposição com precisão; explicação clara e breve; apreço ou a essência de algo”. Liguei, então, o chat de Inteligência Artificial (IA), o complicador da moda, que anda tirando o sono de muita gente. Montei duas propostas, frases de efeito, que não dizem nada, creio. A primeira delas: “Fato real, daquilo que muito se diz, de gestão e precisão!”. A segunda: “Verdade que realmente existe, com apreço e essência de algo inexistente!”. A brincadeira vai longe. É perturbadora e, vez por outra, incapaz de produzir algo que faça sentido. Aviso: olha eu aqui tentando e “não dizendo nada”. Décadas atrás – ainda aluno do curso de Economia na Universidade Mackenzie – recebi de um amigo de classe, numa folha de papel A4, um quadro fechado com quatro colunas, cada uma com 10 frases de efeito, que não diziam nada. “O que faço com isso?”, perguntei. Resposta: “Ajuda você a formatar um texto em ‘economês’ – jargão dos economistas – que os professores adoram!”. “E como funciona?”, perguntei. “Escolha – aleatoriamente – uma frase de cada coluna e junte tudo”. “E funciona?”, insisti. “Muito!” Agradeci. Dobrei a folha em quatro e guardei não sei onde. Sumiu no tempo. Procurando na Internet o tal quadro, encontrei um que lembra – mais ou menos – o de 40 anos atrás. Com algumas frases do quadro, formulei, então, duas frases impróprias no mexe-mexe das muitas possibilidades da IA. São elas: “A experiência mostra que/a execução deste projeto/prejudica a percepção da importância/dos índices pretendidos.” A segunda: “É fundamental ressaltar/o novo modelo estrutural aqui preconizado/que nos obriga à análise/do nosso sistema de formação de quadros.”. Quanto ao artigo sobre Inteligência Artificial, aqui com a prensa de tipos móveis de Gutenberg: “O caos/na expansão das nossas atividades/cumpre papel essencial na formulação/das novas proposições.” Viver é – quase – isso.

João Scortecci