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ARIANO SUASSUNA E A POESIA: TUDO PODE ACONTECER

O poeta, romancista, dramaturgo e acadêmico Ariano Suassuna (Ariano Vilar Suassuna, 16.06.1927- 23.07.2014), natural da cidade de Parahyba do Norte, hoje João Pessoa, capital do estado da Paraíba, nasceu nas dependências do Palácio da Redenção, sede do Executivo paraibano, pois, na época, seu pai, João Suassuna, era governador daquele estado. Durante o movimento armado que culminou com a Revolução de 1930, quando Ariano Suassuna tinha três anos de idade, seu pai foi assassinado, por motivos políticos, na cidade do Rio de Janeiro, e a família mudou-se para Taperoá, na região paraibana de Campina Grande, onde morou de 1933 a 1937. O assassinato de João Suassuna ocorreu como desdobramento da comoção posterior ao assassinato de João Pessoa (1878-1930), que foi governador da Paraíba e candidato a Vice-Presidente do Brasil, na chapa de Getúlio Vargas. Ariano Suassuna atribuía à família Pessoa a encomenda do assassinato de seu pai, por meio da contratação do pistoleiro Miguel Laves de Souza, que atirou na vítima pelas costas. Por esse motivo, não concordava com a alteração do nome da cidade natal, em homenagem ao governador assassinado. Em 1942, mudou-se para Recife, capital pernambucana, onde concluiu os estudos secundários e o de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito. Ariano Suassuna fez sua estreia literária em 1945, aos 18 anos de idade, com o poema "Noturno", publicado no “Jornal do Commercio”, de Recife. Dez anos depois, em 1955, publicou “Auto da Compadecida”, sua obra mais conhecida, que o projetou para o cenário nacional. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi afirmou que a peça é "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro". Suassuna foi um dos idealizadores do Movimento Armorial, iniciativa artística cujo objetivo era criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste brasileiro. Nas palavras de seu idealizador, “A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos 'folhetos' do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus 'cantares', e com a xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo romanceiro relacionados.” Ariano Suassuna foi Secretário de Cultura de Pernambuco (1994-1998) e Secretário de Assessoria do Governador Eduardo Campos. Publicou mais de 30 livros, entre peças de teatro, romances, poemas e obras acadêmicas. Em seu livro “Iniciação à Estética” (1975), assim definiu poesia: “... é uma linguagem com predominância da imagem e da metáfora sobre a precisão e a clareza”. A literatura, incluindo a poesia lírica ou épica, é uma das sete artes, conforme classificação até o início do século XX. Por meio da linguagem humana utilizada com fins estéticos ou críticos, a literatura representa um mundo em que tudo pode acontecer, dependendo – sempre – da imaginação e criatividade de quem escreve ou lê.

27.03.2022