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CARTAS DE RILKE AOS JOVENS POETAS SOBRE A ARTE DE ESCREVER

Conheci o poeta Rainer Maria Rilke (1875-1926), nos anos 1980, lendo “Cartas a um Jovem Poeta”, de 1929, obra publicada após a sua morte e traduzida no Brasil, por Paulo Rónai, com prefácio de Cecília Meireles. Não foi livro comprado e nem recebido de presente. Foi emprestado - não lembro por quem - e devolvido dois ou três dias depois de lido. O livro chegou pelo correio, a mim, jovem poeta, e voltou - envelopado e selado - também pelo correio. E está na minha lista de indicações de leitura para jovens poetas. Em 1903, morando em Paris, Rilke recebeu uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspirava a se tornar poeta e pedia conselhos ao já famoso poeta. Tal missiva dá início a uma troca de correspondência, na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e expõe suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida: a criação artística, a necessidade de escrever, o valor nulo da crítica e a solidão do ser humano. Franz Kappus (Franz Xaver Kappus, 1883-1966) tornou-se oficial militar, jornalista, escritor e também editor de livros. Ficou conhecido como o cadete da academia militar austríaca que escreveu ao poeta Rainer Maria Rilke, em busca de conselhos sobre a arte de escrever. As dez cartas, escritas entre 1902 a 1908, foram publicadas por Kappus, em 1929. Na primeira delas, o mais célebre conselho de Rilke: “Ninguém o pode aconselhar ou ajudar – ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria se lhe fosse vedado escrever?” Rilke faleceu em Valmont, na Suíça, 29 de dezembro de 1926, aos 51 anos de idade.

04.12.2021