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KARDEC, KARDEX E O PC 286 DA SCORTECCI

Nos anos 1980, li “O Livro dos Espíritos”, do filósofo e tradutor francês, Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail, 1804-1869). Kardec notabilizou-se como o codificador do espiritismo e um dos pioneiros na pesquisa científica sobre fenômenos paranormais. A obra publicada em 18 de abril de 1857 contém os princípios do Espiritismo sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as Leis Morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade. Em 2019, ganhei de presente um audiolivro da obra e, durante algum tempo, ocupou espaço no estojo de CDs, do carro. O estojo foi roubado numa parada de estacionamento ao lado do prédio da Abigraf, na Rua do Paraíso, na cidade de São Paulo. Já fui vítima do roubo de óculos, sacola com material de bike, pneu estepe, canivete suíço e alguns carregadores de celular. Dos anos 1977 até 1982, antes de fundar a Scortecci Editora, trabalhei no departamento comercial da “F.K. Equipamentos para Escritório”, no bairro da Liberdade. Na época, chefiava o departamento e, numa roda de bate-papo com vendedores do setor, o assunto “desviou-se” para o universo místico, sociedades secretas e as religiões. “Papo-cabeça”, expressão muito usada na época. Falávamos de bruxarias, profetas, Buda, Maomé, Jesus e de Kardec. “Quem vendeu o Kardex?” A pergunta veio de longe, do supervisor de vendas do comercial, que se juntou ao grupo. Silêncio. “Eu”, respondi. “Parabéns!” Vender equipamentos “Kardex”, da Remington Rand, na época, já era engodo. “Foi o último!” Catei o troço - pesadíssimo - e levei para casa. Abri mão da comissão e usei o crédito como desconto. Usei o fichário “Kardex” durante anos para a catalogação de livros e endereços de autores. Em 1982, quando da criação da Scortecci Editora, ele foi junto e, por muitos anos, figurou no “imobilizado” da empresa. Foi substituído no final dos anos 1980, quando, para desespero do time do comercial da época, compramos o nosso primeiro computador, um PC 286. O computador – o próprio capeta em pessoa - durou não mais do que cinco derradeiros dias. A máquina “suicidou-se”, atirando-se por indução do primeiro andar de um sobrado que ocupávamos na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. Minha culpa, minha tão grande culpa. Anotem, por favor: outro dia prometo contar sobre o “suicídio eletrônico” do PC 286 e a história da bruxa Heloísa, que, no ato da tragédia, gritava: “Você é um louco! Você é um louco!”.

04.10.2021