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RONALD GOLIAS, A FAMÍLIA TRAPO E O POETA

No ano de 1969 - visitando meus tios maternos na cidade de São Carlos, interior de São Paulo - assisti pela primeira vez na TV, em preto e branco, ao programa humorístico, FAMÍLIA TRAPO. Era reprise de uma gravação do ano de 1967, em que o comediante Bronco (José Ronald Golias, 1929-2005) tentava ensinar ao Rei Pelé (Edson Arantes do Nascimento) como bater um pênalti. Cena hilária! Inesquecível. No gol - travestido de goleiro - o incrível Jô Soares. “Golias é carlopolitano. Vocês sabiam?”. “Não”, respondi. “Quem nasce em São Carlos é carlopolitano”, explicou meu tio, Alfredo Petrilli, cunhado da minha mãe, Nilce Scortecci. FAMILIA TRAPO - exibido pela TV Record - é um marco na história da TV brasileira. José Ronald Golias era o “Carlos Bronco Dinossauro”. Faziam parte da trama: Jô Soares, Ricardo Corte-Real, Cidinha Campos, Renata Fronzi, Otelo Zeloni e mais um convidado especial, por episódio. Conheci o “Bronco” na cidade de São Paulo - isso nos anos 1980 - dentro da agência 0444 do Banco Itaú, na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. Tínhamos a mesma gerente de conta, e, vez por outra, ocupávamos a mesma salinha do café e do cofre. Lá - cheios de segredos e chaves - batíamos longos papos. “Bom dia, Bronco!”. “Bom dia, Poeta!”. Um dia, arrisquei perguntar algo pessoal. “Bronco, quem passa os seus ternos?” Ele me olhou da cabeça aos pés e respondeu: “Ninguém! E também não lavam”, completou. Golias cheirava azedo e andava irresistivelmente “esculachado”. No início dos anos 2000, sumiu de vez. Em abril de 2004, li na mídia que havia feito uma cirurgia para implante de um marcapasso. Em maio do mesmo ano, foi internado por causa de um coágulo no cérebro. Carlos Bronco Dinossauro - o carlopolitano - faleceu no dia 27 de setembro de 2005, aos 76 anos de idade. Até hoje, sempre que vejo o Rei Pelé, lembro-me do Golias. Futebol é bom por isto: o jogo só termina quando o árbitro apita o final.

27.09.2021