GUTENBERG E A BÍBLIA DE LETRAS GÓTICAS

O escritor, sacerdote, missionário e tradutor Úlfilas (310-383) foi um godo (povo da Germânia - Alemanha - que invadiu os impérios romanos do Ocidente e do Oriente, do século III ao V) e meio-grego da Capadócia (região da Anatólia Central, na Turquia). Viveu no Império Romano no auge da “controvérsia ariana” que dividiu a Igreja cristã desde um pouco antes do “Concílio de Niceia” até depois do “Primeiro Concílio de Constantinopla”, em 381. A mais importante dessas “controvérsias” tem a ver com a relação entre “Deus Pai e Deus Filho”.
Úlfilas, considerado o “apóstolo dos godos”, traduziu a Bíblia do grego (fragmentos dessa tradução sobreviveram no Códice Argênteo, que está desde 1648 na Biblioteca da Universidade de Uppsala, na Suécia) para a língua gótica e, para isso, criou o alfabeto gótico. “Minúscula Carolíngia” ou “Minúscula Carolina” é uma caligrafia desenvolvida durante a Idade Média com o objetivo de se tornar o padrão caligráfico europeu. A sua criação fez parte de um conjunto de reformas na educação impulsionadas por Carlos Magno, entre finais do século VIII e início do século IX, e usada no Sacro Império Romano-Germânico. A reforma pretendia aumentar a uniformidade, clareza e legibilidade da caligrafia, de forma tal que o alfabeto latino pudesse ser facilmente lido entre as várias regiões.
A escrita ou letra gótica é o tipo de letra angulosa e com linhas quebradas, originada entre os séculos XII e XIII, a partir do “fraturamento” paulatino das formas manuscritas da escrita carolíngia. Foi usada na Europa Ocidental desde 1150 até 1500.
O alfabeto gótico (ou godo) criado pelo bispo e tradutor Úlfilas é o alfabeto manuscrito que surgiu na Idade Média a partir do alfabeto grego. O termo "gótico" vem do latim medieval “gotticu” e é um adjetivo que designa o que é proveniente, relativo, criado ou usado pelos “godos”, assim denominado o povo da respectiva tribo germânica. Cada letra do alfabeto tem um valor numérico. Para sobressaírem os sons que o grego não tinha, Úlfilas recorreu aos “signos rúnicos”. O alfabeto gótico é dividido em dois grupos para as letras minúsculas. Grupo 1: a, c, e, i, m, n, o, r, u, v, w, x, t , l, f e p. Grupo 2: b, d, g, h, k, q, s, y e z.
O alfabeto gótico teve existência efêmera (um termo grego que significa: apenas por um dia). Efemeridade universalizada por meio da Bíblia de Gutenberg.

11.05.2021