LENDO MARCOS REY, PALMA, MÁRIO DE ANDRADE E A UBE DOS ANOS 90

Conheci Marcos Rey (Edmundo Donato, 1925-1999) nos anos 1980. Ficamos amigos e, sempre que possível, nos encontrávamos nas noites literárias da pauliceia desvairada. Era de um bom humor invejável. Estava sempre sorrindo. Por um longo tempo frequentamos a UBE (União Brasileira de Escritores) e trabalhamos juntos na comissão do Prêmio Juca Pato - Intelectual do Ano. Em 1996, Marcos Rey foi indicado ao Troféu Juca Pato - prêmio que ajudou a criá-lo, em 1962 - com a publicação da obra "Os crimes do olho-de-boi.” Eu, João Batista Sayeg, Marigê Marchini e Caio Porfírio Carneiro abrimos a lista de indicação ao troféu, com as assinaturas de trinta sócios da entidade. Marcos Rey morreu no dia 1º de abril de 1999 e até hoje seus livros são sucessos de venda. Mais recentemente fiquei sabendo do falecimento da Palma (Linda Palma Bevilacqua Donato) viúva do Marcos Rey, aos 90 anos. Palma era o anjo da guarda de Marcos. Estavam sempre juntos. Inteligente e de um coração maravilhoso. Gostava de livros e era uma leitora voraz. Nos anos 2000, depois da morte do Marcos Rey, me ligou perguntando sobre publicação de livro. Estava escrevendo suas memórias. Traga que eu publico, respondi. “Não está pronto. Estou ainda colocando a vida no papel”, respondeu. Mais tarde fiquei sabendo que teve um AVC e o tempo passou. Não sei se concluiu ou não o livro. Marcos Rey amava São Paulo. Antes de morrer deixou dois pedidos inegociáveis: ser cremado e que suas cinzas fossem espalhadas em um lugar que houvesse "pedra e concreto". Marcos Rey foi cremado e Linda Palma - sua amada “olho-de-boi” - sobrevoou São Paulo, em um helicóptero e espalhou suas cinzas no céu, da Sua, Nossa, de Mário de Andrade e de muitos - e eterna “Pauliceia Desvairada”.

01.04.2021