ESCRITA AUTOMÁTICA: ANDRÉ BRETON E OCTAVIO PAZ

A “Escrita automática” é um método criado pelos dadaístas (movimento artístico da chamada vanguarda artística moderna iniciado em Zurique, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, no chamado Cabaret Voltaire) e “defendido” pelo poeta normandiense André Breton (1896-1966) e pelo poeta romeno Tristan Tzara (1896-1963) que objetiva evitar os pensamentos conscientes do autor, através do fluxo do inconsciente. Por meio da “escrita automática” o eu do poeta se manifestaria livremente de qualquer repressão da consciência e deixaria crescer o poder criador do homem fora de qualquer influxo castrante. Seu propósito é vencer a censura que se exerce sobre o inconsciente, libertando-o através de atos criativos não programados e sem sentido imediato para a consciência, os quais escapam à vontade do autor. No Brasil, a “escrita automática” chegou nos anos 20, através de Prudente de Morais Neto e Sérgio Buarque de Holanda. O poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano Octavio Paz (Octavio Paz Lozano, 1914-1998), Nobel de Literatura de 1990, testemunhou e viveu o movimento surrealista, sofrendo grande influência de André Breton, de quem foi amigo. Em sua criação, experimentou a “escrita automática”, tendo praticado posteriormente uma poesia ainda vanguardista, porém concisa e objetiva, voltada a um uso mais preciso da função poética da linguagem. Dois Corpos: “Dois corpos frente a frente são às vezes raízes na noite enlaçadas. Dois corpos frente a frente são às vezes navalhas e a noite um relâmpago. Dois corpos frente a frente são dois astros que caem num céu vazio.”

31.03.2021