BAJO DE FUERA – VAPOR SÍRIO E AS TRAGÉDIAS NO MAR - parte 2

O Pintor, desenhista, historiador e cartógrafo paulista Benedito Calixto (Benedito Calixto de Jesus, 1853 - 1927), no ano de 1907 - um ano após a tragédia do naufrágio do Vapor Sírio, em 4 de agosto de 1906, nas costas da Espanha, próximo às Ilhas Formiga, junto ao Cabo Palos, com 1.700 passageiros, sendo 700 imigrantes italianos com destino ao Brasil - produziu óleo sobre tela, com 160 x 222 cm, denominado Naufrágio do Sírio, e que é preservado no acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo. Meu bisavô materno Esaú Scortecci - da comuna de Laterina, distante 8 km de Arezzo, Toscana, Itália, veio para o Brasil no Valor Sírio, isso no ano de 1889. Entre os passageiros, estavam também autoridades religiosas que voltavam de Roma. Morreu na tragédia, José Camargo de Barros, bispo de São Paulo, com 48 anos de idade e mais oito missionários. Entre os sobreviventes o arcebispo do Pará, Homem de Melo (José Marcondes Homem de Melo, 1860 - 1937). Monsenhor Homem de Melo foi designado por Pio X, no dia 26 de abril de 1906, para ser o 14º Bispo de Belém do Pará - 4 meses antes da tragédia - tendo posteriormente renunciado ao arcebispado por saber que o meio de transporte usual em Belém do Pará era de embarcações. Na pintura de Benedito Calixto, Monsenhor Homem de Melo é o que está à direita de José Camargo de Barros (bispo de São Paulo, retratado abençoando missionários, de joelhos), segurando uma boia salva-vidas. Testemunhas afirmam que dom José Camargo de Barros morreu devido à agressão de um tripulante que lhe tirou o salva-vidas, quando ele abençoava aqueles que iam se atirando nas águas do mar.

03.01.2021