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“2021: Que seja leve”

Das pendências. Nós crianças - vez por outra - brincamos de “cabo de guerra”. Uma corda, uma linha de pedras no chão dividindo mundos e forças opostas - natureza e homem - lutando desafios e incertezas de tempo e vida. Sempre foi assim. O legado de 2020 é imenso. Não há prorrogação e nem pênaltis. O tempo - veloz e absoluto - não para em si. Não torço pelo rompimento da corda e nem que um dos lados - aparentemente mais forte - vença a peleja. Somos frágeis. Lembro-me de um cabo de guerra vencido pelas meninas - aparentemente mais fracas - que do nada começaram a rir e a segredar seus fuxicos. Estariam elas rindo de nós? Certeza que sim. Não deu tempo. As meninas - belas e sujas de barro - num único puxão de surpresa esticaram o cabo e nos jogaram derrotados na lama. Queremos revanche! Revanche! Chico, o gordo da turma, foi para a cabeça da corda e gritou: agora! Puxem. Vamos derrotá-las! Durante alguns segundos nada se moveu no reino das pendências. O lenço vermelho amarrado na corda que marcava o meio lá ficou. Inerte. Olho no lenço! E nada. Foi então que Chico, o gordo, começou a peidar. Fedidos e mal cheirosos torpedos. Uma artilharia de puns. O golpe sujo foi sentido de imediato. Assim não vale! Não vale! Isso é golpe baixo. E assim foi. Ganhamos! A brincadeira de cabo de guerra foi esquecida e o empate selado. Chico, o gordo, nosso eterno herói. 2021: Que seja leve - é o que nos resta. 

01.01.2021