DIA DO POETA, RILKE E CARTAS DO SILÊNCIO

Cadê você poeta Rilke? Não o tenho visto - e nem o encontrado - na estante de livros. Deve ter sido “surrupiado”. Quando? Como? Gutenberg (Johannes Gutenberg) - o moço inventor da prensa de tipos móveis - que justifique sua história de furto para desespero do bispo Adolfo II (bispo de Estrasburgo). Dizem - não sei se é verdade - que furtar livros é cumplicidade de gênero. Será? Juro que depois - ou nunca mais, quem sabe - o devolvo! Não adianta: bumerangue vai e não volta! Vida de cleptômano letrado tem lá suas manias de berço. Ontem (20) comemorou-se o Dia do Poeta. Não tive tempo de escrever algo novo. Usei um post antigo para não passar em branco. Escutei no rádio - CBN ou Band News - algum comentar sobre o livro “Cartas a um Jovem Poeta” do escritor checo Rainer Maria Rilke (1875-1926). Isso explica minha busca - incessante - pelo exemplar e certeza do sumiço. Acontece sempre. Primeira Carta, Paris, 17 de Fevereiro de 1903: “Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes.” Mais tarde um poeta enviou via whatsapp a seguinte mensagem: “João, lê meu livro e depois me diga - com sinceridade - o que você achou.” Cadê você poeta Rilke? Diga-me - com sinceridade - como posso ser justo e “sincero” no uso de versos bumerangues? Manias e trejeitos surrupiados. Hoje habito o cleptômano das palavras. Meu silêncio de berço de cartas a um jovem poeta.

21.10.2020