Clarice 100 anos, Chatô e o incêndio nas oficinas da gráfica da Revista PAN

 Clarice 100 anos, Chatô e o incêndio nas oficinas da gráfica da Revista PAN. O jornalista e político Assis Chateaubriand foi um bandido, desonesto e safado. Sobre ele na Wikipédia: “Figura polêmica e controversa, odiado e temido. Acusado de falta de ética por chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e por insultar empresários com mentiras. Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos.” Na lista dos lesados, insultados e agredidos, está meu avô materno José Scortecci, editor da Revista PAN, responsável na época pela publicação de novos escritores entre eles Clarice Lispector (Triunfo, PAN, 25 de maio de 1940). Chatô, Cidadão Kane brasileiro, incomodado com o sucesso de estreia da Revista PAN, que se propunha a consultar e traduzir jornais estrangeiros trazendo a seus leitores problemas e inquietações decorrentes da II Guerra Mundial, não se limitou à simples reprodução de matéria editorial. Gerou também seus próprios conteúdos, para o que contou com a colaboração de destacados escritores como Menotti Del Picchia, Benjamin Costallat, Silveira Bueno e Monteiro Lobato. A mando de Assis Chateaubriand, no dia 24 de setembro de 1936, a Gráfica da Editora Novidades, responsável pela impressão da Revista PAN, sofreu um incêndio considerado na época como criminoso, que destruiu sua novíssima máquina de rotogravura. Infelizmente o crime não foi provado e o assunto “abafado” pelo poderoso empresário das comunicações. A Revista PAN - Semanário de Cultura Mundial, no formato 24 x 32 cm, circulou no Brasil de 1935 até 1940, totalizando 241 edições. Tinha escritório e redação na Avenida Rio Branco, 91, 7º andar, sala 2, na cidade do Rio de Janeiro. Durante as comemorações dos 200 anos da Indústria Gráfica Brasileira (1808-2008) comprei de um colecionador da cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, a coleção completa da Revista PAN.

04.10.2020