ATO INSTITUCIONAL, SABINO, BRAGA, EDITORA DO AUTOR, SABIÁ E PAULO ROCCO

Eu e Fernando Sabino (1923-2004), um dos responsáveis pela minha vida de livros, nunca conversamos sobre a Editora do Autor (1960-1966) em sociedade com Rubem Braga (1913-1990) e Walter Acosta (?) e nem - posteriormente - sobre a Editora Sabiá, fundada em 67, com Rubem Braga.  Nossos encontros eram rápidos e pontuais em aeroportos, bienal do livro e entrevistas de rádios e TV. O início e os frutos do escritor editor. No ano de 1960, o jornalista Sabino, então correspondente do Jornal do Brasil, visitou Cuba, na comitiva de Jânio Quadros, eleito Presidente da República. Sabino, na volta da viagem, escreveu: "A Revolução dos Jovens Iluminados" texto incluído na obra que inaugurou, oficialmente, a Editora do Autor. Depois foram lançados os livros "Furacão sobre Cuba", de Jean-Paul Sartre, "Ai de ti, Copacabana", de Rubem Braga; "O Cego de Ipanema", de Paulo Mendes Campos, "Antologia Poética", de Manuel Bandeira e “O Homem Nu” do próprio Sabino. Um dos títulos de maior sucesso da casa editorial foi “Para uma menina com uma flor”, de Vinícius de Moraes, em 1966. Clarice Lispector (Em 2020 comemora-se 100 anos do seu nascimento) também publicou pela casa editorial e continuou, posteriormente, pela Sabiá. Coube à editora de Sabino e Braga traduzir e publicar Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marques e O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. A Editora Sabiá, até o ano de 1972, quando foi comprada pela Livraria José Olympio Editora (Hoje do Grupo Editorial Record), publicou importantes autores brasileiros: Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Dante Milano, Rachel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Autran Dourado, Dalton Trevisan, Clarice Lispector, Murilo Mendes e Stanislaw Ponte Preta.  Publicou também Pablo Neruda, Jorge Luis Borges, Manuel Puig, Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez. Curiosidade Institucional: Em 13 de dezembro de 1968, a Editora Sabiá programou uma festa no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, com o lançamento de vários livros, entre os quais: "Revolução dentro da Paz", de Dom Hélder Câmara; "Roda Viva", de Chico Buarque de Holanda; "O Cristo do Povo", de Márcio Moreira Alves e "Nossa luta em Sierra Maestra", de Che Guevara. Nesse dia foi editado o Ato Institucional que oficializou a ditadura militar e a festa não se realizou. Paulo Rocco, hoje Diretor-Presidente da Editora Rocco (1975), foi gerente da Editora Sabiá, uma escola para muitos. Um dia - no pátio da TV Bandeirante - perguntei para o Sabino: “O que é uma boa história?” E ele me respondeu: “Aquela que pode ser contada”. 

10.10.2020