Hermann Hesse e o Brasil dos 100 mil

 

BRASIL DOS 100 MIL

O poeta e escritor suíço-alemão HERMANN HESSE (1877-1962) foi o meu escritor preferido do final dos anos 70. Primeiro O Lobo da Estepe, depois Sidarta, Demian e por fim O jogo das Contas de Vidro, seu ultimo romance. Lembro ter lido também uma coletânea de poesias. Hesse foi livreiro durante cinco anos e em 1946 recebeu o Nobel de Literatura. Em 1911 esteve na índia e em 1922 publicou Sidarta, sobre a vida de Buda: busca pela iluminação e plenitude espiritual, O livro mexeu comigo e até hoje está na lista dos meus cem melhores livros. O poeta Hesse é pouco conhecido. Relendo o dia - 58 anos de sua morte - encontrei o algo do hoje: “Hora após hora eu ando agora, e em minhas faces, em fogo sinto os ventos de um distante verão; vocalizo canções de quando era rapaz, penso na pátria - e sei que não a encontro mais.” No poema A MORTE A PESCAR DE ANZOL o sofrimento de um povo: “Senta-se a Morte e vai pescando-nos da vida com sua linha torpe, invisível e fina. Não há truque ou esforço que nos valha mais: ela tem paciência e uma isca que fascina. Quem cai no seu anzol, pode cavar na areia ou no lodo, ou tentar qualquer manha mesquinha: senta-se a Morte nele, e não mais lá na beira. Está perdido, mesmo que arrebente a linha. Pode, numa escapada, no fundo revolto longo tempo esconder-se ainda com medo dela: para finar-se, está completamente solto. Nada tem gosto mais: o anzol pegou na goela.”

09.08.2020