Já vi bode - fedorento - de tudo que é jeito


Já vi bode - fedorento - de tudo que é jeito. E o Inhaca? Fedorentérrimo! Catinga de suvaco peludo com cheiro de ovo podre. Nos anos 60 - ainda morando no Ceará - fui com o meu pai Luiz conhecer as oficinas da tipografia do Jornal A VERDADE, do seu padrinho de crisma Comendador Ananias Arruda, na cidade de Baturité, distante 78 km de Fortaleza. Inhaca estava “estacionado” na porta mastigando literatura. O bode tem nome? Cidadão Inhaca! Um benemérito baturiteense. O que ele está comendo? Livros. E a legibilidade? Pelos clássicos de escritores cearenses: José de Alencar, Clóvis Beviláqua, Domingos Olímpio, Rachel de Queiroz, Lustosa da Costa, Plácido Aderaldo Castelo, Raimundo Girão, Heráclito Graça e outros. Um erudito regionalista. Não gosta de literatura francesa e nem inglesa. E a leiturabilidade? Com muito conforto visual. Mastiga – de olhos abertos - e engole com fluência e lucidez. Um esfomeado por cultura impressa! Nunca faltou comida? Nunca. A cidade ajuda no que pode. Quando falta o jeito é afanar da biblioteca municipal. Os repetidos, claro! Podemos visitar as oficinas da tipografia? Primeiro o agrado. Dinheiro? Não. Ele não gosta de papel moeda. Vomita. Pode ser santinho, bula de remédio, papel de pão, qualquer coisa de papel. E se não pingar o agrado: o que acontece? O Inhaca não deixa entrar na gráfica! E ainda protesta: caga o alfabeto inteiro. Quer um conselho? Melhor não arriscar com a sorte. E nesse calor dos infernos um fedorentérrimo pode ser fatal. Precisamos manter o santo oficio da legibilidade e a leiturabilidade das ideias. 

15.07.2020