Romance histórico: Iracema e Moreno

Walter Scott (1771-1832) é considerado criador do romance histórico. O escritor cearense José de Alencar (1829-1877) era leitor assíduo do romancista. IRACEMA é exemplo notório (que se mostra evidente) desta influência em sua obra. Meu pai Luiz dizia - não sei se é verdade – que sua bisavó era índia Tabajara, da mesma tribo de IRACEMA, personagem fictícia do romance de José de Alencar. Já Martim Soares Moreno existiu. Foi o primeiro colonizador português do Ceará, encarregado de levar aos índios cultura civilizada e a fé cristã. Para que o romance entre MARTIM e IRACEMA acontecesse, sem ferir dogmas e costumes da fé cristã, Alencar dotou a virgem dos lábios de mel do segredo da Jurema - bebida mágica utilizada nos rituais religiosos. A cena do enlace: Iracema conduziu Martim ao bosque sagrado, onde lhe ministrou a poção alucinógena. O guerreiro branco delirou e a índia adormeceu feliz entre os seus braços. A frase: “Tupã já não tinha sua virgem na terra dos tabajaras” é a sutil declaração da união carnal. Em resumo: Martim foi dopado e estuprado. No Ceará existe o dito popular: As cearenses são terríveis. Todo cuidado com elas é pouco!

01.06.2020