ESOPO era um Ermitão!

ESOPO era um ermitão. Doído da cabeça e prosador de fabulosos. Dizem - não sei se é verdade - conversava com os animais e que eles - sabiamente - lhe contavam histórias de caráter educativo, de fundo moral. Faziam analogias (semelhança entre coisas e fatos distintos) entre o cotidiano humano e a vida animal na selva. Personificação de fabulosos! ESOPO era o elo. Início, possibilidades e o caminho: ao imaginário. Não largavam do seu pé e o infernizavam dia e noite. O que vocês querem: a minha alma? Em Delfos me chamam de doido de pedra. Sabiam? Hora da verdade. Abram o bico. Mostrem as garras - os dentes e o bafo - ou me joguem de vez no abismo da morte. Quem vai falar primeiro? Eu. Identifique-se, por favor. Eu, Leão. Rei da selva. Sempre você! Nós “bichos” criaturas de deus - vez por outra - temos “desejos” humanos. É a evolução das espécies!  Queremos “compartilhar” do segredo e da magia dos prosadores fabulosos. E o que isso - realmente - significa? Estou perdido! Simples, eu explico. Queremos interagir nas fábulas, participar das narrativas fictícias: em verso e prosa. Personificar conhecimento, sabedoria, ética e moral. Coisa da bicharada intelectual! Não existe - na praça - outro qualquer no gênero? Não. Ainda não nasceu. Ficou para o futuro. Compreendo. Estão esperando mais alguém do mundo das analogias? Sim. Dois outros imortais. Quem? Os fabulosos Fedro e La Fontaine. Pobre ESOPO.

04.06.2020