Pratos exóticos, impróprios, explosivos!

Antônio Houaiss morreu em 99. Um “crânio” brilhante. Gostava de contar “causos gastronômicos” e quando o fazia usava toda a maestria de um filólogo gourmet. Nos anos 80 - Eu, Houaiss e Enio Squeff - combinamos de comer uma “pasta” no Restaurante Gigetto. O Mestre Houaiss adorava pratos exóticos, impróprios, explosivos, quase mortais. Perguntei: - Qual de todos os pratos lhe foi mais difícil comer? Houaiss nos surpreendeu respondendo de pronto: - cérebro de macaquinho vivo! Depois, sem pressa, fatiou-nos com sabedoria e inteligência sua cerebral aventura. Confesso: Houaiss falando me abriu o apetite. Tarde da noite, o restaurante esvaziou-se e, teve que fechar. Já era hora de partir. Lá fora acontecia apenas uma prévia alvorada. Mestre Houaiss nunca mais se repetiu na minha vida. Foi quase uma despedida.