O Voo das Palavras

O voo das palavras. Algumas saem da boca - flechas incertas – e não atingem o alvo. Gritos surdos! Erro de direção? Possibilidades. Outro aviãozinho - palavras ilhadas - e outro silêncio adiante. O absoluto do reino. Cansa lancear desafios. Cansa esticar linha de cerol. Cansa esperar respostas. A pipa voa do vento que é. Sustenta-se no ar feito algodão no céu. Das tentativas. Quantas infâncias? Apenas as necessárias: além da conta. Espera mundo! Palavras são assim: quase perdidas ou nenhuma esperança. Quem sabe - ainda - uma sorte. Uma faísca de moeda de caras ou um baú no fim do arco-íris. Anjos caídos. Assim são as palavras inúteis. Não há sentido na direção das asas. O que volta não é o eco do grito e sim bumerangues selvagens. Melhor mudar de boca, usar a língua alheia do corvo, o cuspe do sangue ou a dobra mágica de outro verbo irregular. Das dobraduras além do bilhete. Mesmo que vazio voa!