Manoel de Barros

Wenceslau - aquele do livro sobre nada - morreu. Não o conhecia pessoalmente. Mais um descuido literário, de tantos. Resta-me oportunamente: relê-lo. Os bons poetas são espertos: gostam de nos provocar até com suas palavras de morte! Isso explica parte do meu amor pelos livros. Morrem e não vão embora: ficam ali disponíveis na estante, nos chamando, nos escolhendo, nos marcando com os olhos, nos azarando suas asas de anjo. Quando Drummond morreu reli sua obra de pronto. Fiz o mesmo com Vinícius e João Cabral. Agora morto, Manoel Wenceslau Leite de Barros virou mais um passarinho no céu das letrinhas de luz. Na terra do seu deus adotou o nome de Manoel de Barros. Um forneiro de versos sobre tudo que é belo nesta vida.