Das Reservas do Olhar

Das escolhas. Das proposições do destino. Das reservas do olhar. O olhar - ato contínuo da vida - em três instantes únicos: olhar, se olhar e se ver. Primeiro o olhar para fora. Tempo das percepções do bem e do mal, de conhecer sóis e luas do universo, explorar águas, cheiros, ventos, ideias, sabores e medos, arriscar desejos e arrepios de corpo, desafiar existências, rebelar-se, jogar alianças, encontrar almas e espíritos, compartilhar-se e partir. Depois, segundo instante contínuo - o se olhar. Espelhos nus, fotos rasgadas, encontros perdidos e atitudes estranhas. Época das diferenças relativas, das opções incomuns e dos segredos de face e ventre. Madurar-se! Até razão. Olhar-se intensamente e partir. Adiante, contínuo instante do depois, se ver. Olhar para dentro e a si mesmo. Conjurações. Fantasias perdidas, esperanças negadas, injustiças, despedidas e partidas. Até felicidade! Vazio, dor e arrependimentos. Apurar-se! É o que fica contar dos fatos, o que sobrevive das fraquezas, o que salva recordar, o que acalma o coração. Até saudade! Das proposições do olhar contínuo e seus segredos. Até viver!