Das domingueiras

Das domingueiras. Iguais, diferentes e únicas. O que fazia, vez por outra e sempre, o que faço, dentro e fora do possível e o que pretendo fazer - questão de sorte - depois que a peste do Cometa Corona passar de vez. A lista de “vontades” é grande. Não poderia ser diferente. Fiz as contas e descobri que vivi 3.059 domingos. Pouco mais de oito anos de domingueiras. Na minha lista: defequei na fralda, tomei mamadeira na cama, apaguei velinhas de aniversários, comi bolo de chocolate e brigadeiro, soltei pipa, corri de havaianas, pequei, joguei bola na rua, acampei no mato e no quintal de casa, joguei pedra, cartas, boliche e botão, cacei ratos, calangos, cobras, passarinhos e preás com baladeira e mamonas, espingarda de chumbinho e cartucho, colei figurinhas, pesquei no rio, no açude, no mar, no pesqueiro, briguei na rua, roubei frutas do quintal alheio, colecionei maços de cigarro, selos, tampinhas de refrigerante, canetas, livros raros, viajei muito, filmei 8, super 8 e VHS, tirei fotos, fui à praia, ao circo, a igreja, ao zoológico, ao museu, ao parque, ao futebol, fiquei de plantão no quartel, dirigi carro na Rua Augusta, tomei sorvete na Brunella, café no aeroporto, sopa no Ceasa, comprei moto, pedalei de bike, dancei, fui à academia, ao teatro, brinquei carnaval, troquei beijos na praça, abraços e segredos no trem, no cinema, almocei com a família, com os amigos, fiquei em casa de ressaca do sábado, dormi na rede, no sofá, no chão, fui a velórios, comi pastel de feira, esfirras, ovos de páscoa, tapiocas, quibes e pizzas, fiz churrasco, bebi além da conta, li e reli livros, jornais e revistas, escrevi muito, poetei versos eternos, versos de amor e histórias infantis, me perdi na web, naveguei na internet, no Orkut, no Facebook, no cinema, na sessão da tarde, na locadora de filmes, contei e escutei piadas, preparei feijoadas, moquecas de peixe, rabadas e ovos fritos, assisti TV, escutei rádio, música e notícias na CBN e Band News. Tudo isso e mais um pouco. O que vou fazer depois que o Cometa Corona passar? Um pouco do mesmo e nada de muito novo. O tudo me basta.