Das Bigornas

Das bigornas. Do aço forjado, do ferro golpeado e do meteoro malhado e aguçado. Nelas - os chifres – são do norte e do sul. Ou seriam sinais do nascente e do poente magnético? Bússola do avesso. Lembrei-me de uma bigorna que ficou esquecida no chão do mar. Maré baixa aparecia na areia e ocupava existir. Estava lá e sempre. Maré alta desaparecia nas águas do sal e fim. Quem teria sido o seu açoite? Fico aqui pensando nas duas pontas da sua história de gente. Dualidades? Teria ela sido malhada, golpeada e forjada pelo bruto? Provavelmente. Na condição de utensílio somos serviços da escravidão. É o que somos. Filhos do tronco. Um dia volto lá e desvendo suas águas. Bigorna na areia de oceanos forjada no dorso das marés e do tempo.