Colorau no Arroz

Foi numa “paneladinha” que conheci o colorau. No arroz! É gostoso? É. Prova. Então provei e gostei. Colorau lembra infância. Lembra acampamento, barraca de lona, panela de barro, colher de pau e ki-suco de uva. Arroz, batata inglesa, picadinho de acém e farinha de mandioca. É dessa época o aroma do condimento: pimenta, sal, cebolinha, coentro, cabeça de alho e colorau. É água na boca. Tempero, aroma ou cheiro? Paladar. No final das tardes de sol o fogo ganhava lenha iluminando o escuro e o breu da noite. Estrelas do sólido escuro. Noite que virava roda, laços, histórias de medo e terror. Ganhava respeito e pedaço de rapadura quem assustava mais. Lembro-me do grito da mula sem cabeça, da bruxa de facas no pão, do vampiro de chifres no telhado e da serpente de duas cabeças na vale das águas. Xixi nem pensar. Antes do sono - aquele amontoado de sombras. Perfil de traços. Hora de dormir. “Caga a luz Das Dores” e o silêncio da espera “já caguei”. Risadas. Fechávamos a barraca de lona com pregadores de roupa. Todos do varal do dia. Eu vi um gato preto! Juro. Dá azar? Cala a boca e dorme. Dorme de criança que o tempo não passa nunca...